CELEBRAI COM JÚBILO AO SENHOR

POR DANIEL SANTOS


"Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração." Salmos 100:5

Segundo Landon Jones (erudito no velho testamento), "o  ser humano, por natureza, é um ser religioso. O interesse do ser humano nas coisas de Deus é uma prova disso. Uma maneira que esse interesse se expressa é no culto que oferece a Deus. O povo de Israel não era diferente. O que distinguiu o povo de Israel dos demais povos não foi o fato que adorava a Deus, mas, as características da sua adoração"

No período interbíblico; no silêncio de Deus, o próprio Senhor levou o homem a questionar, a ter sede da verdade. Preparou tudo e todos para a vinda da Água de Tales, A Eternidade de Anaximandro, o Ar(Espírito) de Anaxímenes, o Fogo de Heráclito, a Verdade de Sócrates, o Logos de Platão e o Motor de Aristóteles.

"Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos." Efésios 1:23

De acordo com o título, o "Salmo 100 é um mizmôr le thôdah", um salmo de ação de graças. A palavra mizmôr, normalmente traduzida como “salmo”, vem do verbo zmr que quer dizer “tocar música.”

No contexto do Antigo Testamento e especialmente nos salmos, a palavra é usada para descrever o ato de tocar ou cantar música para adorar a Deus.

E ao mergulhamos nesta riqueza escriturística, deparamos-nos com o poder redentivo de Deus. O plano profético do Senhor está entrelaçado aos quatro versículos tendo o quinto verso, como a suma dos demais.

Para trabalharmos este salmo, usaremos a "famosa" técnica aristotélica (não se trata do escolasticismo de Santo Tomás de Aquino) de estudar o "Ser" ( neste caso, o Ser Natural).

O Hilemorfismo Teleológico que incomodava Heráclito, é desenvolvido por Aristóteles, isto é, o processo se dá no arrolar de "Quatro Causas distintas;"

> 1°- Causa Material
Essência

> 2°- Causa Formal
Característica, o que é.

> 3°- Causa Eficiente
Quem fez, o que deu forma.

> 4°- Causa Final
Finalidade, para que objetivo foi formado.

• CAUSA MATÉRIA
"Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras"
Celebrar é festejar, inaugurar algo.
A palavra nos diz que há festa na eternidade quando um pecador se arrepende (Lucas 15:10); chegamos a casa do Senhor cientes da matéria que somos (terra, pó). A partir do momento em que o júbilo do Espírito Santo inunda o nosso ser, somos participantes dessa festa espiritual.

• CAUSA FORMAL
"Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto"
Nesta festa de abertura, nos é apresentado uma Obra Excelente, onde passamos de escravos deste mundo e "tomamos a forma de Serviçais do Reino de Deus"

• CAUSA EFICIENTE
"Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto"
Lembrando ao caro leitor que a causa Eficiente de Aristóteles está diretamente ligada ao Feitor. Nesta caminhada de comunhão com Deus, entendemos que o que somos é Obra Dele, e não nossa.

• CAUSA FINAL
"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome"

Você sabe o motivo da Morte de Cristo na cruz por sua vida?
Para que você entre de uma vez por todas nos portais eternos.

A soberania de Deus nas culturas, nas mais variadas filosofias é algo que deveríamos levar em consideração. Justamente por volta do período interbíblico (VI) surgem estes grandes pensadores; iniciando com Homero (Ilíada, Odisseia) e Hesíodo (Teogonia). Os pré-socráticos (Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito...) tiveram como alvo a "phisis"; após estes vieram os ícones do antropocentrismo mais preocupados com o homem, a verdade e outras especulações, voltadas para o homem (Protágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles...

Deus prepara um mundo curioso pela Verdade; e com um mínimo de piedade podemos afirmar com toda certeza que muitos desses traziam a sombra do Justo.

Que Deus nos abençoe!

Referências: SALMO 100 E A TEOLOGIA DE CULTO
Landon Jones - John I Durham, “Psalms”, The Broadman Bible Commentary, vol. 4 (Nashville: Broadman Press, 1971),

p.373. Metafísica - livro l pág/16 - Tradução direta do grego por Vincenso Coceo e notas de Joaquim de Carvalho - Aristóteles


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