O SER E O TER

POR DANIEL SANTOS


"Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem." Provérbios 30:2

Um dos gestos mais nobres que podemos perceber em um indivíduo é quando ele se coloca abaixo daquilo que ele pensa que é; veja que o poeta exprime sua inabilidade quanto ao "ser" e o "ter". Agur jamais se adaptaria aos discursos motivacionais deste século; onde o antropocentrismo desregrado tem sido a viga mestra da conduta.

A tentativa em saber quem somos e o que pensamos ter, é essencial para gozarmos uma vida menos ilusória.

O parabolista se denomina lançando mão do adjetivo "bruto"; neste contexto ele está diretamente se comparando à matéria que necessita de refinamento. Todo resultado é oriundo de um processo. O patriarca Abraão foi considerado o amigo de Deus devido o seu intenso relacionamento com eLe, Davi é citado por Paulo como o homem segundo o coração de Deus por suas atitudes no que concerne a interação com o espiritual, e a lista segue.

Agur ao reconhecer isto (sua natureza bruta) pressupõe que há alguém que possa trabalhar essa matéria, alguém que se prontifique a este serviço; potencializando a figura profética do "sacro-ofício", (serviço sagrado - sacrifício). Paulo diz: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." (2 Coríntios 5:17)

O Espírito que no passado convecera Agur de suas limitações é o mesmo que revela a pessoa do Restaurador de vidas.

O Senhor Jesus é a essência de toda a palavra, isto é, A Palavra de Deus direcionada ao homem. O homem natural é uma peça bruta; adaptável à obra criadora, porém inapto para a obra Redentiva. E é justamente para isso que Cristo foi enviado.

Já o conceito no qual este verso está apontando (conheça a te mesmo), Sócrates afirmava só saber que não sabia; tese reforçada por Arcesilau, que dizia não saber nem mesmo isso, mas ambos porfiavam por este saber. Contrastando com essa ideia, temos Nietzsche. Em sua e sua obra (Crepúsculo dos Ídolos) ele denomina esta prática de "irrazão imortal"; afirmando que estas especulações são tolas, por estarem baseadas apenas no âmbito dos sentidos.

Já a bíblia, nos ensina que quanto mais conhecemos o Criador (numa perspectiva “Trina”) mais nos conhecemos. Costumo dizer que o Espírito Santo é o único espelho que reflete a nossa imagem com legitimidade.
O que você é?
Um bruto?
Uma matéria inacabada que necessita de ser moída, refinada ou lapidada?

E o que você tem?
O teu ter corrobora com o que tu é?
A conclusão é tua... 

Fontes: literárias
PLATÃO, Ap., 21 a - CÍCERO, Acad., I, 45
CREPÚSCULOS ÍDOLOS
(ou como filosofar com o martelo)
Friedrich Nietzsche
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