IGREJA, SISTEMA RELIGIOSO OU INSTITUIÇÃO RELIGIOSA?




Para o homem comum, os conceitos de Igreja, Sistema Religioso e Instituição Religiosa frequentemente se confundem, sendo tratados como sinônimos. Na realidade, esta é uma fusão conceitual inteligentemente forçada.

A partir do momento em que o conceito de Igreja – a congregação dos chamados "para fora" do sistema ou do mundo – se transformou em um esquema hierárquico de poder (marcadamente a partir do século IV), poucos conseguiram manter uma visão da Igreja em seu sentido original neotestamentário.

Em mais de vinte séculos de história, observamos diversas fases do cristianismo. A questão que se impõe é: o fenômeno "Cristianismo" guarda relação com o Cristo histórico, ou não?

A raiz da confusão reside na própria nomenclatura: o sufixo "-ismo" é frequentemente associado a um partido, ou seja, um partido relacionado ao Cristo.

Se você for honesto e analítico, a resposta à questão sobre a relação do "Cristianismo" com o Cristo histórico é: não!

O "Cristo" do Cristianismo, em suas diversas versões (seja Católico Romano, Ortodoxo Oriental, Protestante, ou qualquer outro), configura-se como um Cristo mitológico. É por isso que essas versões idealizadas de "Cristos" atendem aos anseios e às conveniências de seus criadores e seguidores, e não à realidade do Evangelho.

Esclarecidas as premissas, voltemos às definições conceituais:


• A Igreja: É um corpo místico e invisível de almas que foram alcançadas e resgatadas pelo Evangelho do Cristo Histórico.

• O Sistema Religioso (cristão): É uma versão dogmática e doutrinária do "Cristo" idealizado por um fundador, um grupo de líderes ou um coletivo de dissidentes e fanáticos.

• A Instituição Religiosa (cristã): É a comunidade legalmente estabelecida e estruturada na sociedade (a pessoa jurídica, o CNPJ), geralmente vinculada a um sistema religioso.

 

Ciente da complexidade e do potencial de controvérsia gerado por estas distinções, é necessário analisar suas implicações práticas.

Um pregador atuante no sistema religioso pode, paradoxalmente, ser um instrumento de Deus para a salvação de pecadores. Contudo, esse mesmo sistema pode aprisionar ímpios travestidos de crentes, impedindo seu verdadeiro desenvolvimento espiritual.

O indivíduo que foi salvo dentro do sistema tem um prazo de validade dentro dele, pois o novo nascimento pressupõe crescimento, e o crescimento dispensa as coleiras institucionais.

Esses movimentos de libertação e autenticidade podem acontecer tanto fora quanto dentro das Instituições Religiosas. Na história, foi comum crentes se levantarem contra o sistema. Enquanto alguns apenas saíam e montavam outros sistemas, perpetuando o ciclo (por conveniência ou ignorância), houveram também os autênticos, homens que se contentaram apenas com o Cristo e seu Evangelho puro.

Diante do exposto, é natural surgir a seguinte questão: se o crente não se reúne necessariamente em uma instituição e não se submete cegamente a um sistema doutrinário, como então cultuar, cear, assistir pessoas, evangelizar e comungar com os santos?

A resposta é única: da mesma forma que a Igreja primitiva fez:


• Eles não dependiam de quatro paredes.

• As doutrinas eram, acima de tudo, imitar o Cristo.

• O culto público era esporádico e espontâneo.

• A Ceia era celebrada como um banquete de comunhão.

• A assistência (social e espiritual) era mútua e genuína.

• O evangelismo não era um proselitismo barato, mas testemunho de vida.

• O congregar se dava sempre que possível, por necessidade e amor, e não por imposição legal.


Espero que você tenha, a partir de hoje, a consciência de que as comunidades cristãs não são constituídas apenas de salvos; que os salvos não são vistos a olho nu e que o sistema religioso se apropriou da ideia de fé cristã.

Se porventura a sua fé não sobrevive fora desses ajuntamentos, é certo que o teu "cristo" não é O Cristo.

Por Daniel Santos 

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