SAÍ DO SISTEMA RELIGIOSO, E AGORA?
2 Tessalonicenses: 3.6
"Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente...".
Essa preocupação não inquieta apenas a alma dos "desinstitucionalizados" — aqueles que escolheram viver em Cristo e unicamente para o próximo, em outras palavras, viver a experiência do Nazareno.
É natural que quem ainda está inserido no mercado religioso já tenha cogitado abrir mão do ruído gospel em busca de uma comunhão autêntica e silenciosa. No entanto, ao vislumbrar a seriedade da vida fora das bolhas evangélicas, muitos recuam, rendendo-se à falsa segurança que a religião institucionalizada oferece.
Ao longo de anos, conheci várias comunidades cristãs e também tive o dissabor de ter pisado em solos sectários. A última seita em que me filiei, foi a pior de todas. Após o meu desligamento, os chefes de filiais (pastores) cortaram e induziram seus subordinados a cortarem qualquer contato com a minha pessoa. Um simples questionamento foi capaz de destruir um relacionamento de amizade. Por outro lado, em todos esses ambientes encontrei pessoas sinceras que queriam acertar o alvo, mas por ignorância, não perceberam que os donos dos sistemas conectaram as experiências delas com Deus a um sistema de crenças criado por eles. E como bem disse Paulo, devemos nos apartar.
Essa "anexação" é a estratégia favorita dos "donos de igrejas" para prender adeptos. Você, provavelmente, já ouviu frases como: “foi aqui que recebi meu chamado” ou “neste lugar tive minha primeira experiência". Mas pense bem: por que Paulo não ergueu um templo na estrada de Damasco? Se Pedro tivesse guardado a rede da pesca maravilhosa, ela teria poderes mágicos? O que é sagrado: a ferramenta ou Quem a usa?
Se você se desligou do sistema, parabéns e, ao mesmo tempo, sinto muito.
Parabéns: Se você for, de fato, uma vida regenerada.
Sinto muito: Se você apenas cumpria protocolos. Se não conhece a Cristo, e pretende continuar na zona de conforto, é melhor que volte ao sistema antes que o prejuízo seja maior. Porque o que retém os indivíduos dentro das “quatro paredes” é a ausência de identidade. Isso é tão grave que a grande maioria não consegue se distanciar do grupo nem por um mês que já entra em crise de abstinência. A dopamina, a vaidade, a ostentação e o poder são viciantes. E nos casos de ruptura, perde-se a referência, a máscara cai e o destino dos dissidentes é bastante variado, uns migram para o "ateísmo religioso", que está tão em alta nos dias de hoje; outros, tornam-se indiferentes e alguns, bem pouquíssimos, vão em busca de ajuda psiquiátrica.
Para o cristão genuíno, o caminho mais seguro é o "método paulino": ir para a Arábia (com o devido perdão da piada). Sim, a desintoxicação é o primeiro passo a ser dado. Você pode dar início abandonando os "paroleiros" de plantão.
O verdadeiro detox está em mergulhar nos clássicos. Leia obras "sem coleiras", como O Fator Melquisedeque de Don Richardson; Cidade Antiga de Fustel de Coulanges; Os Grandes Iniciados de Édouard Schuré (…). Autores celebrados como Dostoiévski, Chesterton, C.S. Lewis, até mesmo, Schopenhauer, Nietzsche (...). Esses livros promovem um desmatamento mental, tirando você de uma obesidade religiosa e levando-o à saúde espiritual. Conheço irmãos que, insatisfeitos com a própria ignorância teológica, matricularam-se em uma universidade decente (sem vínculos denominacionais) e já estão produzindo material literário.
A vida cristã é simples. O culto é em espírito e verdade. Seja no trabalho, na escola ou no lar, oferecemos nossos corpos como sacrifício vivo. O nosso tempo, os dízimos e os serviços prestados são consagrados à nossa família e ao próximo, não à manutenção de empresas religiosas.
Agora, você pode finalmente evangelizar sem alienar ou explorar. Você saiu do sistema. E agora? Viva Cristo!
Por Daniel Santos

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