MARANATA, O SENHOR VEM!



2 Tessalonicenses: 2:3 

Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição.


No sentido imediato deste trecho, Paulo tranquiliza e conforta a comunidade cristã de Tessalônica, que passava por um momento de grande inquietação e medo. Essa ansiedade era motivada por diferentes interpretações e reações sobre o retorno de Jesus:

Dúvidas sobre os mortos: Alguns membros acreditavam que a vinda de Cristo já havia acontecido ou que os cristãos falecidos perderiam os privilégios desse momento (ou teriam menos vantagens do que os sobreviventes).

Desânimo pela perseguição: Outros, diante do sofrimento intenso, estavam desanimados e achavam que as tribulações finais já haviam começado, o que quase os fez abandonar a fé e a esperança.

Ociosidade e fanatismo: Havia também os que usavam a proximidade do retorno de Cristo como desculpa para não trabalhar. Eles dependiam financeiramente da igreja e de familiares, desperdiçando o tempo com atitudes prejudiciais.

Interpretação puramente simbólica: Por fim, um grupo supunha que essa vinda era apenas espiritual ou simbólica e que já estava em curso, justificando assim as perseguições que enfrentavam.

A possibilidade de estarmos com Cristo face a face é de fato uma excelente notícia. Em contrapartida, a ênfase da igreja não é essa. Da mesma forma que houveram problemas no passado, a chance de os sofrermos novamente, é significamente grande.

De vez em quando, surgem figuras, sistemas religiosos cristãos e falas sensacionalistas tocando neste tema. Por que será?

A humanidade é assim, gosta de novidades e procura refúgio no mistério. Talvez, o maior erro cometido neste quesito seja anunciar a vinda de Cristo ao mundo. Por que erro?

1- A vinda de Cristo, nos termos bíblicos, trata-se de uma esperança exclusivamente da igreja.

2- Considerando que seja um casamento, Cristo não se casará com uma qualquer.

3- Ao invés de conversão, medo. E o medo do inferno não salva.

4- O Evangelho não é almejar o céu, mas seguir a Cristo.

Ao mundo, é anunciado o Evangelho da cruz, o resgate de Deus, na pessoa de Cristo, resgatando o “Ser” do “Ente”. 

O ente, segundo o filósofo alemão Heidegger, é tudo aquilo que é. É qualquer coisa que possui existência concreta, abstrata, material ou ideal. Os entes são as coisas do mundo que nós podemos tocar, conceituar, medir ou experimentar. Já o Ser, não é uma coisa. Ele não é um objeto que você possa encontrar no mundo, nem é um "Super-Ente". O Ser é o horizonte de inteligibilidade que permite que os entes apareçam e façam sentido para nós. 

Essa é a maior e mais nobre conquista que já aconteceu na história da humanidade. E viver "com" e "em" Cristo, portanto, é o que verdadeiramente importa. 

É triste quando cabeças de grupos cristianizados desperdiçam o seu tempo em prol de suas correntes escatológicas. Tanto os "pré", os "mesos" quanto os "pós" são sustentados por malabarismos textuais, pinçam os textos, isolam-os dos seus contextos e os aplicam segundo suas inclinações religiosas. Embora sejam criativos e razoavelmente encantadores, são apenas apostas.

O melhor seria contentar-nos com a escatologia do nosso Senhor: 

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também (João 14.1-3).

Como esse evento se dará? 

Não importa!

O ser que vive a novidade de vida, a partir de Cristo, não está preocupado com o onde, com o quando e tão pouco com o como. O seu gozo está no hoje, na relação que há com o seu Salvador.

Que Deus continue nos abençoando!


Por Daniel Santos 


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