CRUZ OU CLUBE?



2 Timóteo 4:3: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências.

A Igreja do Nazareno perdeu a conta de quantas vezes essa profecia se cumpriu. A ideia de "amontoar" pregadores, líderes, pastores, apóstolos e coaches é um fenômeno antigo nos movimentos conhecidos como cristãos. Já no segundo e no terceiro século, é possível observar pequenas fagulhas dessa natureza. Contudo, foi apenas no quarto século que se oficializou a fusão entre o conceito de Igreja e a política romana, o nascimento do Cristianismo Institucional, o maior e mais eficaz golpe que a história já presenciou. Até hoje, quando você vê um suntuoso templo ou uma "portinha" humilde com uma placa de igreja, é sinal de que a estratégia continua funcionando. Enquanto O Verbo dizia:

Marcos 5:34: "Filha, a tua fé te salvou; VAI em paz..."

Marcos 10:52: "VAI, a tua fé te salvou."

Lucas 8:48: "Filha, a tua fé te salvou; VAI EM PAZ.”

Lucas 17:19: "Levanta-te e VAI; a tua fé te salvou."

O cristianismo institucional diz: "VENHA, obedeça-me, pague-me, sustente-me; se não o fizer, irás para o inferno queimar no lago de fogo". A humanidade sofre essa ameaça há dois milênios e, por incrível que pareça, ainda acredita nesse "cristo" neurótico da instituição.

Todas as vezes que o cristianismo amontoa simpatizantes, adeptos, gurus, doutores e curiosos, seu intuito é o controle. O sistema sabe que o ser humano deseja pertencer, ostentar um rótulo, ser reconhecido e admirado.

A título de curiosidade, conheço homens que, mesmo sem o domínio de si mesmos, aliaram-se ao sistema religioso e se autoexploraram para se tornarem cabeças de grupos. São indivíduos técnica, psicológica e espiritualmente incapazes, assumindo responsabilidades gigantescas. Quando a conta chegava — sob a forma de problemas oriundos de péssimas gestões — transferiam a culpa aos membros, que eram forçados a "honrar o pastor". "Não toqueis no ungido do Senhor!". Refiro-me, obviamente, às seitas onde pastores não podem ser questionados, tampouco corrigidos por membros considerados em "nível inferior de santidade". Já nas comunidades cristãs saudáveis, esse tipo de ditadura não é comum; nelas, os problemas são de outra ordem.

Concluo esta breve reflexão ressaltando a ênfase que Paulo dá ao sentimento em relação à sã doutrina (o Nazareno sem filtros), à reação dos homens e ao método usado pelo sistema. Para quem não está em Cristo, O Nazareno é desconfortável. Ela não oferece entretenimento, não comporta teatros cúlticos, ignora programações institucionais e abomina títulos. Em outras palavras: para o ego, o Nazareno é insuportável. A reação a esse desconforto faz com que busquem prazer, ativismo e palavras de impacto. O método para suprir esse hedonismo é o amontoar, o tumultuar, o ruído e a busca pela notoriedade.

E você? Sofre de comichão nos ouvidos e prefere o afago temporário, ou escolhe o caminho árido do Evangelho?

Cruz ou Clube?

Por Daniel Santos 


Nenhum comentário

COMENTÁRIOS

Tecnologia do Blogger.