ELIAS E A NOSSA CAVERNA DE CADA DIA
E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do Senhor; porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada (1 Reis 19:11,12).
Proveniente de Tisbe, uma cidade da região de Gileade, Elias, como bem sabemos, não pertencia à casta religiosa e tampouco à família real de Israel (reino do norte). Segundo o relato bíblico, Elias contrapõe-se ao rei Acabe, que se unira a uma mulher perversa, oriunda da Fenícia. Com essa mulher, veio também toda a sua bagagem religiosa. Israel, portanto, a partir dessa postura real, passa a ser o porta-voz de tudo aquilo que Deus abominava: o paganismo. É justamente nesse contexto que o tisbita Elias entra em cena. Sua missão é corrigir, determinar juízos e trazer Israel de volta ao seu verdadeiro Deus.
A impressão que se tem é que o Elias do capítulo 18 não é o mesmo do capítulo 19. Talvez tenhamos aqui a nossa primeira lição: a nossa história é constituída de capítulos. O que de fato aconteceu com o Elias do Monte Carmelo?
A nossa identidade é algo muito precioso. Pois, se não sabemos quem somos, tornamo-nos presas fáceis para os predadores deste mundo. E o convite do Senhor ao profeta foi este:
"Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor."
À guisa de curiosidade, é válido ressaltar que o convite do Eterno não é apenas para sair da caverna física, mas da situação em que ele se encontrava. Por vezes, falta-nos uma visão clara a respeito do caminho de um fiel. É necessário entendermos que este trajeto é formado de campos (trabalho) e montes (busca), e que os poderes constituídos (Acabe e Jezabel) não são os impulsionadores, tampouco os freios da nossa missão. Quando reconhecemos que o nosso ministério é labor e oração, as ameaças, as cavernas e o medo não podem nos parar.
"E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas..."
O Senhor fez com que Elias contemplasse um vento que tinha o poder de partir os montes e quebrar as rochas. Para que Elias retornasse à sua identidade, o Senhor, através de fenômenos, o levou à sua primeira experiência. Antes de relacionarmos Elias aos fenômenos, é bom compreendermos que Deus não estava neles; no entanto, eles aconteciam perante o Senhor — ou seja, foram provocados por Deus, mas não O retinham. Eram apenas experiências.
A primeira experiência que um crente tem é semelhante ao efeito provocado por esse vento. Os efeitos eram: o romper dos montes e a demolição das áreas rochosas. O Espírito Santo destrói os nossos antigos altares (montes) e trata a dureza do nosso coração (áreas petrificadas). O novo nascimento nos dá uma nova identidade; e, quando retornamos ao primeiro amor, o nosso coração se enche de gratidão.
"...E depois do vento, um terremoto."
O terremoto tem o poder de abalar estruturas. É bem verdade que o nosso desprendimento desta terra causa dores e frustrações. Estamos aqui, mas as estacas do nosso edifício espiritual estão na Rocha, que é Cristo. A missão, por vezes, nos pedirá renúncias; desligar-se desta terra é usá-la apenas como meio de glorificar a Deus, e não como objeto de nossa busca. As ameaças de Jezabel abalaram a fé de Elias porque, por um momento, ele procurou confortar-se em suas bases temporais.
"E depois do terremoto, um fogo."
A conversão, as renúncias e o fogo da prova são fundamentais para a lapidação de um homem de Deus. Talvez Elias estivesse nesse estágio. Gostaríamos muito de pular essa parte do processo; é extremamente desconfortável para a carne passar pelo fogo. Não é verdade que, quanto maior a temperatura, mais resistente o vaso se torna?
O texto continua dizendo que o Senhor não estava no terremoto nem no fogo. Deus não permanece nas nossas fases; Ele as presencia e trabalha através delas. Talvez você tenha permanecido na experiência do vento, do terremoto ou do fogo; parou de crescer e espera que o Senhor permaneça lá. Não! As experiências não servem de "estacionamento" para Deus. Jesus é o caminho; e o caminho pressupõe dinamismo e movimento.
"E depois do fogo, uma voz mansa e delicada."
Deus concluiu sua exposição valendo-se de um sussurro tranquilo. Diante de grandes manifestações, uma voz mansa e delicada emana da glória de Deus. O Criador é sábio e preciso: assim como Elias entendeu que Deus opera em coisas grandiosas, o Senhor também age de modo simples. Enquanto os três primeiros fenômenos lapidavam a humanidade de Elias, a brisa suave confortava a sua alma.
Em virtude das considerações apresentadas, a pergunta é: em qual fase da vida você parou e em qual capítulo você está, 18 ou 19?
Por vezes, optamos pela mediocridade; apenas reproduzimos o que nos falam ou, pior, nem sequer avaliamos o que nos é apresentado. Que possamos ignorar as ameaças de Jezabel, pois o fim delas são as cavernas, a escuridão, a frieza e o abatimento. Prossigamos!
Por Daniel Santos

DEIXE SEU COMENTÁRIO