O PARAÍSO DO HOMEM PÓS MODERNO É A ÁRVORE QUE ESTÁ NO CENTRO DO JARDIM
Genesis: 3.3 Mas, do fruto da árvore que está no meio (בְּת֣וֹךְ) do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.
Os que se deleitam nas Sagradas Escrituras sabem que a narrativa bíblica é lacônica (contém lacunas); isto é, os narradores foram econômicos ao tecer os textos. Portanto, todos os detalhes contidos na Bíblia são, em sua maioria, estruturados por arquétipos. Independente se a narrativa é um mito ou não, o importante é a riqueza e a perpetuação da ideia. E se a posição dessa árvore — no meio do jardim — foi registrada, é porque tem relevância.
O texto relata que Deus criou, primeiramente, as condições para que, depois, a Sua criatura as vivesse de modo perfeito. No início do terceiro verso, temos uma conjunção adversativa ("mas"), o que indica que a informação sucessiva será um contraponto ao que foi dito antes. Após essa conjunção, o Criador insere uma exceção: dentre todas as possibilidades, a central será negada.
Naturalmente, as demais árvores tornaram-se componentes de um grupo irrisório, enquanto a misteriosa árvore, entretanto, passou a ser "cultuada". Será que as outras não eram tão atrativas assim ou a proibição teria deixado a árvore central mais interessante?
Muitas questões vêm à tona com relação a essa atitude de Deus. Se o fruto da árvore trazia morte, por que Deus a criou? E, se ela era necessária para uma ocasião futura, por que não a fez nascer em um lugar isolado? E, se estivesse em um lugar isolado, o homem ainda não se interessaria por ela?
Muitos teólogos se arriscaram a responder a essas questões; talvez um ou outro tenha se aproximado do real propósito (os fideístas, obviamente, não se candidatariam a este labor). Outro ponto importante que poderíamos perguntar a Moisés refere-se a essa tradição iniciática, sendo ele um profeta nascido no Egito e conhecedor do deus Sol, Rá, oriundo da Flor de Lótus (segundo os clássicos, o homem e a mulher surgiram das lágrimas de Rá).
Todavia, deixemos essas questões para outra ocasião. O importante para esta consideração é que a árvore podia estar no centro do jardim, porém isso não quer dizer que devesse estar no centro do coração do homem. Hoje, todos os dias surgem diversos atrativos com o status de "centrais", impostos pela sociedade. A elite levanta, por meio das mídias sociais, um ídolo; o ídolo propaga as marcas; a massa consome as marcas; o ídolo volta para a massa (perde a fama) e a elite amplia o seu poder financeiro. Os "jardins" variam: temos o mercadológico, o cultural, o moral, o intelectual, o religioso, entre outros. Sempre que quisermos, haverá uma árvore dessas para nutrir o "deus consumidor" que habita em nós.
A centralidade da Árvore da Vida (Gn 2:9) e os demais frutos em torno do Éden não bastaram; o homem desejou ultrapassar os limites, desconsiderando a ruptura que ocorreria em sua relação com Deus.
Considerando os aspectos apresentados, peço ao Todo-Poderoso que possamos desviar os nossos olhares das centralidades desta terra. O problema não estava no fruto do conhecimento do bem e do mal, mas em ter como prioridade a ambição pela divinização humana e o prazer pela desobediência. Que Deus nos guarde de tais ênfases.
Por Daniel Santos

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