SOBRENATURAL NÃO É ESPIRITUAL
2 Coríntios 11:14 — "E não é de admirar, pois o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz."
E se Cristo aparecesse a você e dissesse que o "cristo do cristianismo" é um mito criado pelo Império Romano, e que a Sua Igreja esteve todo esse tempo fora dos holofotes da história?
Obviamente, você não acreditaria. Chamaria-o de louco e o ignoraria completamente. Cristo, no entanto, te entenderia sem julgamentos; Ele sabe que você optaria pelas experiências vividas em vez de acreditar em um Ser que acabou de chegar.
O cristianismo — independente de sua vertente — costuma utilizar a seguinte estratégia: promete salvação, acolhimento e alívio emocional. Quem não desejaria isso? O sistema orienta a orar; Deus o ouve e responde. A partir desse momento, cria-se uma sensação de "dívida": como Deus viu sua angústia, ouviu sua súplica e lhe deu sinais, sua gratidão agora pertence ao sistema religioso. É por isso que muitos jamais aceitariam uma proposta do Nazareno.
Mas, e se o "jesus" do cristianismo o levasse ao pináculo de um templo ou ao topo de uma montanha para lhe oferecer fama e riquezas (Mt 4:5,8)? Seria uma experiência maravilhosa, não? Nesse jesus, muitos acreditariam. Por quê? Porque o sistema viciou o fiel a vincular a fé a um sobrenaturalismo tosco.
Embora Deus interfira em nossa realidade, isso não significa que Ele deseje nos aprisionar em sistemas de controle. Se Deus usou uma nação, uma prostituta, uma jumenta ou um sistema religioso, isso não significa que você deva mudar de país, prostituir-se, seguir um animal ou se escravizar a uma corrente denominacional.
Existe uma seita evangélica — conhecida por suas "revelações" bizarras — que adestra seus fiéis para que, sempre que indagados sobre as atrocidades exegéticas do sistema, respondam: “Foi nesta Obra que tive a minha experiência com o Senhor”. Isso demonstra que não compreenderam 2 Coríntios 11:14. Não tiveram a liberdade de refletir sobre o quanto a experiência subjetiva pode ser irrelevante para a fundamentação da fé cristã.
As experiências não são o meio, e muito menos o objetivo; elas são consequências.
Exemplo: Podemos orar por um enfermo e Deus não o curar.
Objetivo: Intercessão pelo enfermo.
Meio: A oração.
Onde está a experiência?
As enfermidades fazem parte da vida, e a cura nem sempre é o propósito de uma doença. Orar é relacionar-se com o Criador; não se trata de esfregar a lâmpada do Aladim. Experiências sobrenaturais até Satanás pode proporcionar. Portanto, não se empolgue com elas, nem as utilize como termômetro de santidade.
Foque em orar a Deus buscando vencer a si mesmo: seus vícios, seus traumas e as intempéries externas. Que Deus possa nos libertar, a cada dia, das vãs sutilezas.
Por Daniel Santos

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