DA IGREJA




Mateus: 16.18 …Sobre esta pedra edificarei a minha igreja…

Ao longo da história, a instituição religiosa que conhecemos como igreja foi alvo de diversas interpretações e distorções sociais. Vista em seus primórdios como uma comunidade marginalizada, ela posteriormente foi associada a acordos políticos do Império Romano, moldada como um sistema de domínio e, na contemporaneidade, frequentemente mercantilizada como um grande negócio. No entanto, essas estruturas visíveis e muitas vezes corrompidas caminham a anos-luz de distância da verdadeira comunidade fundada na declaração de Mateus 16:18: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja". A promessa de que nem as portas do inferno (Hades) prevaleceriam contra ela indica que a verdadeira Igreja possui uma natureza espiritual e indestrutível, imune aos abusos e convenções da humanidade.

Para compreender a imunidade da Igreja frente às falhas humanas, é preciso reconhecer a sua característica mais profunda: ela é essencialmente invisível. A verdadeira Igreja não pode ser detectada por sensores naturais ou critérios puramente institucionais. É possível ter um templo com mil pessoas cantando, pregando e chorando e ainda não haver um único indivíduo regenerado. Em contrapartida, não é difícil, numa penitenciária de segurança máxima, termos centenas de salvos quitando suas dívidas com a sociedade. O pertencimento a esse corpo espiritual foge ao escrutínio humano, pois não nos é permitido sondar o coração alheio. Afirmar com precisão quem faz parte dessa comunidade seria um julgamento forçado e falho.

Diante disso, surge o dilema sobre o Fruto do Espírito. Embora a máxima bíblica afirme que "conhecemos a árvore pelos frutos", a grande questão reside em saber quem é o juiz legítimo dessa colheita. O próprio Cristo alertou em Mateus 7:22-23 que muitos apresentariam frutos aparentemente extraordinários e de grande impacto visual, mas seriam reprovados por Ele. Portanto, os frutos validados por convenções sociais, teólogos ou líderes eclesiásticos não são necessariamente aqueles que Cristo aprova. Se a avaliação externa é insuficiente e o ser humano é incapaz de julgar a si mesmo e aos outros com perfeita justiça, como o indivíduo pode saber se está no caminho certo?

A resposta para esse impasse não se encontra nas estruturas eclesiásticas, mas no próprio fundamento. A Pedra de Esquina é a norteadora; o Nazareno é o modelo, o padrão e o próprio Caminho — que serve simultaneamente de pavimento, estímulo e sustento. É verdade que a mensagem da graça corre o risco de ser instrumentalizada por conveniências egoístas. O ímpio pode se valer da misericórdia divina para justificar sua conduta permissiva, distorcendo a ideia de que "se Deus é amor, tudo é permitido". Por outro lado, o legalista pode se apegar ao Cristo que chicoteou os cambistas do templo para validar sua rigidez. Cada indivíduo tende a abraçar a faceta bíblica que mais lhe convém.

Em suma, o antídoto contra os abusos institucionais e o relativismo moral encontra-se na raiz da própria fé. A superação das dúvidas existenciais e das distorções religiosas ocorre quando há um encontro legítimo com o Cristo e uma leitura dos Evangelhos que respeite tanto o contexto original do texto quanto a realidade de quem o lê. O Evangelho, em sua pureza original, desfaz as complexidades burocráticas e os interesses comerciais criados pelos homens. Ele é simples e direto. A Igreja edificada sobre a Pedra permanece intocada pelas mazelas humanas porque sua existência não depende de templos, CNPJs ou aprovações sociais, mas sim da união invisível e indestrutível entre o Redentor e os seus seguidores.

Por Daniel Santos 






Nenhum comentário

COMENTÁRIOS

Tecnologia do Blogger.